sábado, 8 de julho de 2017

"A alma das pessoas é o cheiro delas..."
Oi! Trouxe esses óleos essenciais para lubrificar seu computador. Eu soube recentemente que um computador ungido com café é o computador abençoado de cristo. Deixei para fazer isso na sua frente, em detrimento de fazer isso em minha casa escondido.

Espero que tenha gostado. É apenas um carinho. Por outro lado, matematicamente, agora tenho um atalho a mais para me apaixonar por você rápido. E acredite, com café será fácil, fácil. Sim. Um atalho. Um motivo a mais porque já tenho uma coleção deles aqui. Porém, esse eu quero separado dos demais. Pois esse eu quero exclusivo para me dar coragem em lhe contar que desde há muito existe uma paixão latente.

De alguma forma, seu aroma vai poder compor meu hálito agora. Já meu paladar poderá distinguir categoricamente o sabor de “vulnerabilidades boas e vulnerabilidades recíprocas. ” Ou pode ser capaz de fundi-las entre beijos e sorrisos também. Sorrisos! Ah, os seus sorrisos! A imagem de sua boca já reside de forma calórica em minha audição faz muito tempo. É que suas pregas vocais moram ali pertinho e sua voz açucarada tem o hábito docinho de ficar discursando em minha memória cardíaca. Então eu gosto muito de sua boca e de seus sorrisos. Eu sempre preciso deles para anotar todas suas palavras. Afinal, eu sei quão inefáveis são as sensações que me provocam quando sincronizo sua voz com minhas anotações. E acredite: esse hábito meu é antigo para com você...

Pronto! Está tudo certo com seu computador. Sua frequência cardíaca é cafeinada! E a epiderme também...

sábado, 4 de março de 2017

"Estou indo dormir. Estou indo
com  uma  sensação  boa que
aquele seu texto me  causou. 
Sensação  de  amor, sabe?"


Ficarei daqui. Observarei os próximos sorrisos que serão extraídos desse 4 de novembro, fundidos em órbitas cafeinadas. Não na praia, por motivos óbvios. E sim! Eu permanecerei. Não posso ir embora. A poética mágica ainda insiste em ser menina inteligente. E eu, perdido que só, atrevido por assim dizer, vou sorrir a recíproca saudade que não ousa partir.

Não tenho saída, não tenho opções! Ligações de plasmas cardíacos mantem a conexão. E talvez uma ou duas lembranças. São processos residuais. Gosto deles, mesmo que o trânsito se dê em um único sentido. Há paredes de "concreto amado" servindo de guarda para o casamento. A boa notícia é que a barreira é translucida. E eu posso ver. Não. Não era o nosso. Mas saiba que estou muito feliz. Porque você vai sê-lo. E isso me basta. Porque é preenchedor. Porque a si só se basta. E porque já foi publicado no Diário Oficial a alteração do nome. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"...nem precisa de desculpa,
já  tem o  motivo. E quando
não tiver motivo, pode vir a
hora que quiser..."        

E é como eu disse na mensagem: suas palavras me fazem bem, você me faz ótimo. E agora eu completo: você me faz feliz. E como disse mais cedo, só não me faz completamente feliz porque você ainda não chegou. Quando você chegar, eu quero encontrar cada querer seu no meu desejo de querer mais. Quero sentir cada sentido seu em nossas sensações.

Enquanto você não chega, minha jovem, pode me contar sim. Ouvir você falando sobre o que sentimentos é revigorante. Suas palavras me dão força total pra eu conquistar vários mundos. E entre uma conquista e outra, recolher ainda mais amor pra você se sentir ainda mais amada.

Ficarei aqui, ficarei em você, para sempre em sua vida. E já que me quer através de tantas formas, todas as partes, todas as formas e várias maneiras, venha possuir, venha ter, venha se empossar com cada uma delas de mim. Eu sou seu, minha jovem! Todo seu. Não vou me defender de seus desejos. Sou voluntariamente vulnerável às suas vontades vulcânicas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"Eu escrevia silêncios, noites, anotava
 o inexprimível. Fixava vertigens."
Arthur Rimbaud


É verdade. Escrevi isso tudo aqui sim. E eu também não sei caracterizar esse manuscrito. Se foi uma narração... se foi um diálogo comigo mesmo... ou um diálogo com o fim. Me acusem, me vendam, me comprem... enfim... cubram-me de rótulos. Digam que eu não tentei ou que eu acabei tentando. Agora, nada disso mais importa. As opiniões alheias que se embriagavam nos meus calcanhares não me interessam, bem como já não vinha me interessando. Serviram somente para encrostarem a minha lápide. Se foi bem aqui que cheguei, e somente aqui que falei acerca desse assunto, é porque algo também não foi muito bem. 

Nunca fui uma pessoa que sou. Minha vida sempre foi rápida demais para ser quem eu era. E curta demais para ser quem eu queria ser. Perambulava entre os vazios que sambavam essa dúvida há muito. Ainda sentia o líquido amniótico jorrando em minhas entranhas e interrompendo os 15 dias que na verdade se traduziam apenas como dois de março. Desde então me tornei alcoólatra da existência pálida. Mesmo amando a morte, condenei-me a vida! Infelizmente! E eis que aqui desatinei os meus devaneios. Bordados de nostalgia e encravados nos gemidos que vagueavam entre os desejos roxo-incoerentes de uma manhã sensual. Um momento quente e úmido no inverno que pleiteava um ar seco... como uma crisálida de sangue, sob tutela da lua adjacente. Em meio ao alarde, foi essa a minha fantasia.

De certa forma, sempre quis testar os desafios, testar as possibilidades de mortes inerentes aos corpos nus. Já que as pessoas que eu amei, isto é, conjugalmente, nunca devem ter me amado, preferi ser odiado. Fui dispensado desse desprazer que é o amor, na maior parte de minha vida. Poucas são as horas que me lembro ter vivenciado esse veneno que pende das flechas de cupidos transeuntes. E nessas horas, eu estava bêbado demais para poder me lembrar. O Álcool era um universo imenso para a minha compreensão. Pois eu encontrava várias formas de explorá-lo.

E eu que disse que nunca iria sentir isso novamente, me encontrei em uma certa vez, mesmo após ter dito isso, embriagado pelo cheiro desse sentimento. Eu que não acreditava - ou não queria mais acreditar - talvez por medo ou por vaidade, encontrei-me rendido pelo meu próprio desejo. Surpreendido com meu próprio acaso. Na turbulência intolerante que minha vida se tornou, mesmo repleta de possibilidades de fim, de “descontinuidade”, de finalmente chegar ao balanço final... ainda consegui fixar meus olhares, confesso que olhares quebradiços, em um ponto distante no horizonte, quase a se fundir naquela paisagem desértica. Nessa paisagem árida e escatológica, em um repente frenético, surgiu a clavícula de um oásis. A visão que tive era arrebatadora. Como se a paisagem morta, intermediasse a função de caixa torácica dessa clavícula. Era um Éden envenenado de liberdade. Entre as pálpebras do deserto, era possível antever uma alcatéia de anjos e demônios, sorrindo línguas dançantes que se propagavam.

Admito que desejei que essa sensação que fluía na minha imaginação, perdurasse pelo restante dessa infinita eternidade, a qual foi me imposta. Mas desejei isso como coincidência da vontade do evento gerador. E não como protagonista.

Sim. As coisas mudam. Basta estarmos em outro ângulo para podermos prefigurar outro ponto de vista. Percebi a individualidade de um mesmo sentido por diferentes protótipos de transeuntes. Entretanto, ainda sim era possível verificar semelhanças em cada uma das, supostas, diferentes formas de sentir. E curioso é o fato de que essas diferenças sejam portadoras de uma tendência quase que mística de se harmonizar. Muitos dispositivos responsáveis pelo sentir eram também responsáveis pela semelhança desses. Mas não o sentimento em si. Percebi que o que ocorria era a influencia de outros valores em alguns dispositivos, como por exemplo: auto-afirmação, possessão, competição, imposição, dentre outros.

Essa foi a sensação. Talvez a última tão forte quanto. A paz que esquartejava as contendas de minha mente, borrava uma nodoa contendo morfina em sua composição. Nunca tinha visto e muito menos vivenciado uma paz tão forte que chegava a doer de prazer. A vida não se resumia apenas no fato de estar vivo. E sim muito além disso. Afinal não era possível resumir a vida com uma ou duas palavras... ou talvez em um dicionário. A vida tornou-se mais forte que a atração que eu sentia pelo fim. A vida era bem maior que a vivencia. Não havia nada mais brilhante como em outrora. Apenas uma palidez sensual e convidativa ciscava entre meus pensamentos roxo-incoerentes. Aquele antagonismo que perseguia a humanidade, que se refere a vida como complexa ou simples, estava resolvido. A vida era tão simples, mas tão simples... que fugia da capacidade das faculdades pensantes do homem. Daí, provinha a sua complexidade. (para o homem). Pois o homem não estava acostumado com tanta simplicidade. A vida era uma pedra pequena demais para ser vista do alto. Eis aí o ponto onde o homem tropeça. Nessa partícula que é rotulada de vida.

Desde a época em que minha única amiga era a infância acostumei-me com a grandeza. À grandes vitórias e grandes derrotas. Cada dia transcorrido sob testemunha de minha vivencia, trazia  em suas asas, aqueles vento impregnado de cheiro de morte. A morte tornou-se bem familiar na minha vida. Muitas pessoas iam embora, e os que ficavam, esperavam que eu também ficasse. Ou para ser mais exato, me delegavam essa função. Lembro-me de duas pessoas, que, de tão vivas que eram obrigadas a ser, morreram pra mim. Mas não mais! Agora são infinitas em todo e qualquer cair da tarde... eu as vejo todos os dias. Se é que ainda me é permitido separar o dia da noite.

Gostaria muito que a vida se aflorasse em meu peito, afim de que me dispusesse de força para interromper essas palavras. Sim. Eu possuía essa força. Mas de que adiantaria agora? Talvez essa força serviria para que minha atirada fosse ainda mais impactante. E a queda ainda maior. Talvez a força não possua mais valia nesse momento. Sinceramente, preferiria me manter firme a me manter forte. Não sei como foi. A vida se foi, e isso é tudo. A vida caminhou de encontro ao sentido contrario de si mesma. E isso foi tudo. Acho que sobraram palavras perdidas em algum fragmento de sonho esquecido.

Não há dúvida. O lento desfile de um dia de chuva se formou em retinas transeuntes. É curioso o fato. Para alguns; desconhecido, assustador...  Mas quis senti-lo. Na verdade, senti. Se debatendo entre minhas entranhas. As possibilidades caminhavam lotadas de olhares.Talvez um ultimo sentimento. E qual foi o ultimo pensamento? A última imagem? Assim como todos os outros transcorridos, foi um espetáculo? Uma cerimônia? Consegui distinguir claramente a sensação. Foi ansiedade. E não medo. Não desperdicei a chance que tive e que muitos almejam obter. O que ocorreu, foi que essa chance me foi roubada. E isso não me incomodou. Fui senhor apenas de minhas palavras e meus atos. Não coube a mim, ser responsabilizado pelas ações alheias. Mesmo que estas interferissem diretamente em mim. Embora pessoas possam ter pensado que todo ser humano é responsável por tudo aquilo que ele mesmo cativa, saibam que não procurei isso. Pois talvez, teria encontrado. Eu arrisquei. Vim aqui para jogar e não para assistir do camarote. Escolhi a vida. Mesmo que, como é de praxe, sabendo que tudo nasce do seu contrário. Arrisquei e perdi. (Ganhei) O que dirão de mim, não é mais minha função sabê-lo.

Não anseio mais nada. Bem como já não ansiava nos últimos sacrifícios, que separavam os dias anteriores, deste momento. O que me incomodou, foi o fato de ter deixado feridas na vida das pessoas. Essas feridas se fizeram em doce lembranças. Deixei rastros em pensamentos. Vontades em certos lábios. E poesia em alguns sonhos. A verdade foi que sempre quis marcar a vida das pessoas. Mas percebi também que isso seria um grande fardo que as pessoas carregariam quando da minha ausência. Me culpei por isso. Talvez fosse menos doloroso, permanecer no anonimato da vida. Assim talvez fosse possível, amenizar o sofrimento causado naqueles que estavam ligados a mim de alguma forma. O livre arbítrio foi totalmente invalidado nesse momento. Livre-arbítrio nunca existiu. E se existiu, foi de forma relativa. Pelo menos eu não consegui permanecer com essa ideia. Uma experiência me mostrou o quanto pessoas se ligavam a outras pessoas, de várias e entrelaçadas formas.

Posso afirmar que vivi. Com todas as letras. Grandes vitórias. Grandes derrotas. Grandes experiências. Grandes amores. Grandes dores.  Mas nada disso me fez diferente. Grandes amores... duvidoso o fato. Será que para viver um grande amor, precisamos, indispensavelmente, de ser correspondido? Se assim o é, digam que nunca conheci o amor. Mas não fui tão egoísta a ponto de amar só as pessoas que me amavam. Do contrário, nunca teria amado. Porque as pessoas que me amavam de verdade, me foram tiradas cedo demais para eu conhecer seus respectivos sentimentos. E saboreá-los. Ou apenas testemunha-los. Mesmo esse sentimento não sendo conjugal. Paterno, materno e fraterno. O que me sobrou desses sentimentos foi somente o roubo do restante. E a sensação de perda. O que não esperavam é que eu fiz de minhas perdas, dores. Dessas dores, fortaleza. Fui induzido a ser forte. Como havia dito, preferiria ter me mantido firme a permanecer forte.

Já as grandes experiências não me diferenciaram dos demais. Aprendi muito. Conheci as diversas formas do ser. E também do não ser. Mas tudo isso não me valeu para me isentar do inebriante momento de ausência. E muito menos me tornou melhor que outrem. Aprendi uma coisa. De nada vale ficar acumulando experiências. Experiência é prática imediata. Precisamos colocá-las em prática assim que adquiridas. Penso que durante toda a vida carregamos muitos pesares. Não precisamos carregar mais esse fardo. O das nossas experiências não praticadas. Por isso mesmo gastei tudo. Tudo que aprendi foi consumido. Por lá mesmo. Não estoquei nenhum aprendizado em alguma contenda da minha mente.

Não direi que fui uma pessoa letrada. Acadêmica. Pois os momentos de verdadeiros aprendizados foram regados a álcool e a sonhos. Verdadeiros banquetes. Dividi experiências cruas nesses banquetes. Coletivização de problemas individuais. Abri mão da imagem de um bom garoto que aprende tudo na escola e com os idosos para poder reverenciar a dor e aprender com essa última. Professora eficaz. Seu método de ensino é a realidade. Suas ferramentas a verdade, a angústia, o prazer. Mas esse curso tem um alto preço. É que talvez você nunca mais pare de aprender. E permaneça o resto da sua vida fazendo dela existência, e percebendo que não há ofensa em um mundo de dor. Esse foi o meu caso. Existi para poder viver o quanto foi necessário. Enquanto eu buscava alguma coisa minha vida teve sentido. É nesse ponto que vivi com todas as letras. A busca da vingança, que talvez seja melhor traduzida como justiça. A busca de amor. A busca da morte. A busca de felicidade. A busca de encontrar algo que não se tem. Porém, quando percebi que o fim dessa busca - o encontro - não me despertava mais curiosidade, passei a existir. Pois comecei a viver sem sentido. Sem sentido pré-definido. O sentido era o qual eu estava nele, e apto a mudar bruscamente para outro, mesmo que contrário o fosse. Percebi a amplidão da vida. Na própria existência. Não havia mais um único sentido a seguir. E muito menos a restrição única a esse mesmo.

Tudo tinha que ser mais sempre... Sempre havia um além pra eu chegar. E um aqui para eu testemunhar. Nunca me contentei em pormenores. Agradava-me o fato de conhecer as coisas a fundo. Não havia exagero mais belo que o excesso! O suficiente nunca me foi o bastante. E o nada ainda era pouco. Até mesmo o nada. Queria ir mais fundo ao nada. E conhecer a negação, trazida nessa palavra, de todas as formas possíveis. E isso não me traz arrependimento sequer. Talvez isso não tenha me acrescentado nada. E não posso afirmar que me tirou algo. Tudo aconteceu como tinha que acontecer. É o ciclo. Não podemos fugir. Nascemos, crescemos, perdemos e ganhamos, reproduzimos e morremos. Tudo bem que eu escondi uma parte desse ciclo. Ou melhor: me escondi de uma parte desse ciclo. Mas agora... digo adeus e até breve aos meus filhos que nunca nasceram. Pois nos encontraremos já. Enfim. Ultimas palavras. Já é tarde. Fora!

domingo, 4 de setembro de 2016

"Músculos e pele a gente costura.        
Osso cola e se não colar a gente parafusa."




Já é a sexta vez que vejo essa data se aproximar dos meus olhos, com sorrisos bem labiais... Além desses sorrisos, há Sete Certas Letras também. E todas as sete, se contextualizam melhor nas doçuras viscosas que você e eu alimentamos nesses tempos. Não os dividimos um com o outro. No entanto, não podemos negar que nessas datas, em algum momento da decorrência desses dias, nossos pensamentos se cruzaram em algum desejo ou alguma saudade. Quem sabe até em alguma ansiedade...

Nós dois já sonhamos muitas vezes comemorar o seu aniversário juntos. Mas eu entendo muito bem que onde você estiver daqui a pouco, o seu pensamento visitará o desejo de estarmos juntos. E nessa visita, ele será recebido pela minha necessidade cada vez mais intensa de você. Hoje, sempre e desde antes mesmo de eu saber! 

sábado, 3 de setembro de 2016


"...em algum desejo ou alguma saudade. 
Quem sabe até em alguma ansiedade..."



Ao que me parece, finalmente encontramos: além de uma primavera bem bonita, isso nos trouxe o dia de virar a página. Só não esperávamos que ao fazê-lo, encontraríamos o fim da nossa história. Acho que o fim do capítulo nos seduziu e não percebemos que além do fim do capítulo, era o fim do livro. Não é triste manter o paladar habituado ao sabor do fim. Ao contrário: quando o paladar é o habitat natural do sabor do fim, as memórias podem sempre expressar um carinho especial. Talvez não o suficiente para resgatar e manter uma convivência pacífica. Contudo, um carinho. E um sorriso. Afinal, gosto de me lembrar de você sem mágoas. Talvez um meio sorriso. Porque metade é carinho e metade é gratidão e satisfação por ter vivido esses momentos. 

Obrigado!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

"...diante de uma pessoa tão sensível e cuidadosa com as palavras."

"CONVERSAS"


Duas Conversas sorrindo em uma mesa de bar.
Ideias tão naturalmente se interagindo.
As luzes inodoras se debatem com a pele árida,
carente de umidade.
Há vários segredos de construções civis
Testemunhados pelos sorrisos envolvidos.
O momento viaja via carótidas
A fim de se repetir no interior
Da cumplicidade de concreto.

Sim, o convite é feito.
E quase possível antever
Um alcateia de anjos e demônios
Sorrindo línguas dançantes
Que se propagam a fim de mediar
Um aceite recíproco.
E o curioso é que o convite
Não parte das partes envolvidas.
O momento se convida para surgir
Numa imposição carnívora,
Que então se torna uma boa anfitriã.

Uma cidade é deixada em cada esquina.
A noite tóxica se esvai
Rumo as pálpebras recém abertas
No primeiro bradar do alvorecer.
Nos cacos de espumas,
Estilhaços noturnos ainda
Poderão permanecer alvejando
O dia em sua decorrência incoerente.

A lembrança as vezes assume
Uma postura de vilã,
Rendendo-se ao esquecimento,
Com o desejo de se renovar 
Em fato novamente.